quinta-feira, 4 de junho de 2009

Grávida de 66 anos lança polémica sobre fertilização

Uma empresária britânica que engravidou aos 66 anos está prestes a tornar-se a mulher mais velha do país a dar à luz e considera que não tem de defender sua posição. Elizabeth Adeney está grávida de oito meses depois de ter feito um tratamento de fertilização in vitro na Ucrânia, avança o Sunday Mirror.

Elizabeth Adeney afirmou ao jornal britânico que a sua idade não é importante, afirmando que o que importa é o que sente «por dentro». Adeney declarou que se sente tão jovem quanto aos 39 anos e que é mais saudável do que algumas das suas funcionárias mais jovens.

«Não me interessa se vou ser a mãe mais velha do país», disse ao jornal, antes de revelar que pretende ter o filho numa clínica em Cambridge. A maior parte das clínicas britânicas não oferece tratamento de fertilização artificial para mulheres acima de 50 anos.

Adeney, que é dona de uma empresa que fabrica produtos plásticos, vai completar 67 anos em Julho. «Tenho jovens na minha fábrica e estou em melhor forma do que metade delas». «Não tenho que defender o que fiz. É entre mim e meu bebé e mais ninguém».

O médico italiano Severino Antinori, que ajudou a britânica Patrícia Rashbrook, de 62 anos, a engravidar e a dar à luz há três anos, afirmou que ficou chocado com a gravidez de Adeney.

«Respeito a escolha médica, mas acho que engravidar depois dos 63 anos é arriscado, porque não se pode garantir que a criança vai ter uma mãe para cuidar dela, ou uma família», disse o pioneiro do tratamento de fertilização in vitro para mulheres mais velhas ao jornal Sunday Times.

Mas outros médicos discordam, afirmando que a esperança de vida aumentou, e que uma mulher saudável aos 66 anos de idade pode esperar viver mais 20 ou 30 anos.

Usar o óvulo de uma doadora mais jovem reduz os riscos de aborto ou anomalias na criança, disse à BBC a médica Gillian Lockwood, do Royal College of Obstetricians and Gynaecology.

Para Lockwood seria «injusto» discriminar apenas com base na idade. «Não impedimos que mulheres muito mais jovens, com graves problemas de saúde, engravidem... Mesmo que apresentem riscos muito maiores», concluiu.


Artigo publicado no diário SOL em 17 de Maio de 2009

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